Chamamos Relação o fato de que nenhuma cultura se concebe sem todas as outras”, escreve o filósofo, escritor e poeta da Martinica, Édouard Glissant
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Chamamos Relação o fato de que nenhuma cultura se concebe sem todas as outras”, escreve o filósofo, escritor e poeta da Martinica, Édouard Glissant
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Logo já ia eu me esquecendo da ordem e enfiando novos exemplares em lugares mais ou menos aleatórios ou que seguiam critérios, links, misteriosos: assim As vozes de Marrakesh, de Elias Canetti, foi parar junto com a Peste, de Albert Camus, e se um dia existiu, já nem lembro a razão…
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…esse tipo de história nasce nos Estados Unidos, pouco depois da Primeira Grande Guerra, quando revistas pulp, como eram chamadas as publicações baratas e sensacionalistas, impressas em papel amarelado, começaram a dar chance para autores que quisessem publicar histórias violentas, mas cheias de humor, que escondiam, sob tramas aparentemente despretensiosas, críticas contundentes à sociedade americana.
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Ela parece dormir, mas os dedos das mãos se movimentam de forma ritmada. Observo que nela mudanças ocorrem de maneira rápida. Há pouco tempo, apoiada em meu braço, caminhávamos até o jardim da casa. Por lá, canteiros coloridos: rosas, azaleias; de repente, aparecia algum beija-flor se nutrindo no hibisco – olhe, olhe, que lindo! Breve encantamento, logo sumia sem deixar rastros.
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Segui o que queria e ganhei o que alumia. Foi desse jeito que cheguei a Nise da Silveira e dela fiquei amigo por alguns anos de encontros, aprendizados e encantamentos.
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Uma notícia de última hora:
Onda de calor ameaça clube de escritores.
Calor extremo: temperaturas ultrapassam o pico. Summit [a palavra já é poesia]. Cume do inferno.
Os termômetros enlouqueceram. A poesia é fresquinha.
Pois é, esse assunto era para Setembro e já estamos no começo de outubro. Mas tem coisa que permanece na cabeça, até virar texto e não vou dar aos espíritos obsessores o prazer de me fazer esperar 11 meses e três semanas para ser politica e literariamente e correto. Então, nos primórdios de outubro, vou falar do que desejava ter falado em setembro.
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Os saltos altíssimos e muito finos faziam com que andasse na pontinha dos pés de modo desequilibrado, cuidando para não cair. Passadas mais largas eram impossíveis pela saia muito justa, o que resultava em pequenos pinotes.
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Na manhã seguinte, algum vizinho mais atento viu a velha sentada imóvel no telhado. Avisou os filhos.
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E quando vejo aquela paisagem, parece que vira uma chave dentro de mim. Eu volto. Mudo de alma. Volto. E voltar é muito bom. Mesmo quando não existe mais o que deixei. Mesmo quando não existe mais aquela que partiu. E lá vem aquele sorriso bobo, aquela alegria saltando dos olhos. O Cristo lá longe, o Pão de Açúcar ali e a freada louca do avião…
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Sou Daniel. Médico socorrista. Médico de urgências. De vidas penduradas no fio invisível do tempo.
Hoje é meu plantão na ambulância. E o céu de São Paulo parece anunciar que também não terá um plantão fácil. Cinzento, zangado. O trânsito na ponte Cidade Jardim não anda. O horizonte guarda um sol trêmulo, lutando para não se afogar na tempestade que se aproxima.
O rádio da ambulância chiando. O limpador de para-brisa em ritmo de metronomo cardíaco. As buzinas, indiferentes, compondo aquela sinfonia caótica que todo socorrista conhece.
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Corria uma terça feira comum, como qualquer terça feira agitada de São Paulo. Trânsito pesado, calor modorrento de verão, chuvas fortes previstas para o fim da tarde. Tomei coragem e parti, logo após o rápido almoço, para o revigorante exercício de uma visita eventual. Sim, é possível encontrar espaço no meio do dia a dia para visitar pessoas, lugares, coisas que fogem ao rotineiro. Visitas esporádicas ou até mesmo acidentais que invadem o terreno da vida que passa ao lado, da maravilha do mundo que gira conosco.
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