Quando se desveste
Dessas suas pétalas
Descobre-se poeta
Que tão nu de veste
E essência de flores
Ignorando os pudores
Rima seus clamores
Com ranger de dores
Quando se desveste
Dessas suas pétalas
Descobre-se poeta
Que tão nu de veste
E essência de flores
Ignorando os pudores
Rima seus clamores
Com ranger de dores
Bem, amigos que gostam de música de qualidade tanto quanto eu, acho que devemos nos aprofundar um pouco mais na música clássica atual. Já fizemos nossa cabeça durante décadas com composições barrocas, clássicas e românticas. Nós, os velhos, precisamos ouvir os novos.
Hoje apresento a vocês Pēteris Vasks, fantástico compositor contemporâneo, indicado por meu professor do curso de Harmonia e História da Música, Alexandre Spatz.
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Bom, o que me ocorreu é que o tempo funciona como uma gigantesca onda que nos carrega, queiramos ou não. Somos impotentes para oferecer resistência e, tal qual burro teimoso, ficar empacados, nem que seja por breves instantes. Ou, como o personagem que Chico Buarque criou na linda letra de Valsa Brasileira: “…corria contra o tempo, … rodava as horas pra trás, roubava um pouquinho…”
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O velório era o the end daquele filme meio drama meio horror que elas tiveram que assistir e que escancarava o fato de que a primeira da turma se fora deixando a pergunta no ar: quem será a próxima?
Esticaram o enterro num restaurante em Botafogo antecipando a primeira quarta-feira do mês e, como sempre, botaram a conversa em dia. Impressionante o tanto de novidade que se arruma em trinta dias – nesse caso, em vinte e cinco. Falaram de tudo, menos da Alice, afinal, o assunto já estava mais do que esgotado. Chamava atenção das outras mesas aquelas cinco senhoras trajando preto e branco conversando na maior animação, e foi apenas durante a sobremesa que uma delas traduziu em palavras o pensamento de todas. – Como vai ser quando chegar a nossa hora?
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Acabei de ler Sátántangó, do escritor húngaro László Krasznahorkai (Gyula, Hungria, 1954), e saí impressionada. O livro é denso, desafiador, mas profundamente revelador sobre a condição humana.
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Geralmente já sei!
Respondo, depois do Instagram me perguntar pela enésima vez a mesma coisa: você sabia como cuidar do peso dos seus pés inchados ou o você sabia que basta misturar farinha com ovo que teremos um nhoque ou o você sabia que para fazer maionese basta um liquidificador e óleo ou, mais irritante, o você sabia e segue a receita de cozinha que já tinha sido herança da minha avó.
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“Sempre tendera a encarar as coisas despreocupadamente, a acreditar no pior somente quando acontecia, a não se inquietar com o dia seguinte…”
Franz Kafka
Descobri que a origem do termo vem do tupi “aku’ti” que nomeia o pequeno mamífero roedor. A cutia tem hábitos diurnos e era até criada como animal de estimação pelos indígenas. Quem sabe se a imemorial brincadeira infantil, o corre-cutia, não tem sua raiz na época colonial quando os nativos aculturados viviam junto com os primeiros brasileiros, especialmente com as crianças. Quem sabe?
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As cartas eram tudo, relatos de viagem, narrativas do cotidiano, notícias de família, boas e más, pedidos, declarações de amores e comunicados de desamores. Sempre a incógnita do envelope que era entregue , conservado na mão, no bolso ou na bolsa, até o momento de abrir, na privacidade do quarto.
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O tempo passei/Quando fiz meus dez/Bem vividos e nem lembrei
Então caminhei/Atingindo aqueles vinte/Porém, neles nunca pensei
Mas fui em frente/Quando em trinta cheguei/E então até me entusiasmei
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Assim que me calei, uma voz chegou aos meus ouvidos: “Se te tornas isto, serás aquilo”. RUMI (Jalāl al-Dīn Muḥammad Rūmī, poeta persa do século 13)
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Lá estava, um a mais na procissão de dias, acocorada, cotovelos nos joelhos, mãos apoiando a cabeça, parecia corcova de cupinzeiro, imóvel, olhar fixo, onde? Nem a respiração preguiçosa lhe movia, tampouco o friozinho conseguia tirar dela alguns arrepios, manhãzinha bem cedo, somente ela e alguns quero-queros trocando passos pela beira do lago, encoberto por uma larga e rala cobertura, qual algodão doce.
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